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Grandes Negócios Identificam Riscos e Oportunidades nas Commodities com Risco Florestal

Terceiro Relatório Anual do Forest Footprint Disclosure destaca as empresas globais mais transparentes para investidores a respeito de sua pegada florestal.

Em sua terceira edição anual, lançada hoje em Londres, o relatório Forest Footprint Disclosure (FFD) destaca a importância, para grandes empresas utilizadoras das principais agro-commodities, de conhecer, contabilizar e assumir seus passivos e ativos relacionados com florestas. O relatório descreve alguns dos riscos e oportunidades que as empresas enfrentam, consciente ou inconscientemente, ao utilizar algumas das “commodities de risco florestal “, como madeira, produtos da cadeia da pecuária, soja, óleo de palma e biocombustíveis. As empresas estão potencialmente expostas a desafios operacionais, legais e de reputação, e o relatório demonstra que as empresas líderes, cada vez mais, não apenas reconhecem tais desafios mas também tomam algumas medidas para convertê-los em oportunidades.

“Enquanto eu saúdo as novas divulgações deste ano, o tempo de agir é agora: há um imperativo comercial e os riscos para nossas florestas são grandes demais para esperarmos. Mais empresas precisam começar hoje a fazer tudo o que elas dizem que fazem sobre desmatamento e mudar seus comportamentos”, disse Andrew Mitchell, Presidente do FFD.

O FFD elogiou o crescente número de empresas que aceitaram abrir suas informações para um conjunto de instituições financeiras que administra mais de US$ 7 trilhões em investimentos, saudando a adição de grandes marcas como Johnson & Johnson, Tesco e The Walt Disney Company. O alcance global do FFD também se consolidou, com um aumento significativo de participação de empresas de mercados em desenvolvimento: isso fez com que também uma empresa brasileira, o Grupo André Maggi, esteja entre as empresas consideradas líderes setoriais pelo relatório deste ano. Houve também maior participação de empresas norte-americanas, com a Nike e a Kimberly-Clark que lideram em seus respectivos setores. Empresas do Reino Unido tiveram um bom desempenho, com grupos como British Airways, Marks and Spencer e J Sainsbury sendo reconhecidas pelo segundo ano consecutivo.

Ao pronunciar o discurso de lançamento do relatório, em nome dos agentes financeiros, o diretor do Barclays Capital, Theodore Roosevelt IV, disse que “juntos, precisamos agir para restaurar e manter o capital natural do mundo. O debate está migrando do valor das florestas para a razão econômica e de negócios para protegê-las. Empresas líderes em todo o mundo perceberam que eliminar o desmatamento de suas operações e cadeias de suprimentos melhora sua sustentabilidade e resiliência, e perceberam também que isso faz sentido nos negócios.”

No entanto, nem tudo foi notícia boa: o relatório destaca a corrente falta de engajamento de muitas empresas que ainda recusaram abrir suas informações – listadas individualmente – como por exemplo a maioria das empresas de petróleo e gás, algo considerado vergonhoso à luz de sua escala e disponibilidade de recursos. BP, Chevron, ExxonMobil, ConocoPhillips, Petrobras, Royal Dutch Shell, Total e Valero Energy novamente não divulgaram suas informações este ano. Mas a Greenergy International, que foi uma das empresas que mais melhorou, lidera o caminho para as outras seguirem.

O diretor de Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, é um dos especialistas que anualmente definem tendências para o relatório e neste ano fez isso em relação ao setor da pecuária. “O relatório FFD é diferente de muitas iniciativas que representam mera maquiagem verde, porque ele não divulga boas ações ao público, e sim abre informação operacional, padronizada e comparável, para os investidores do setor financeiro. Por isso desde o início apoiamos a expansão deste instrumento no Brasil, onde ainda muitas empresas devem se familiarizar com ele. Aliás, ele poderá se tornar progressivamente mais abrangente incorporando também commodities de energia e mineração. É também interessante observar como empresas que recentemente apostaram expressivamente em processos de certificação socioambiental independente, como Nestlé, Amaggi e Kimberley-Clark, acabaram melhorando rapidamente sua transparência perante os investidores”.

“Nossa visão é a de tornarmos uma empresa de referência no desenvolvimento sustentável, no prazo mais breve possível, para que a produção responsável possa ser um motor de transformação – comentou o CEO do Grupo André Maggi, Waldemir Ival Loto – Concordamos completamente com os critérios do FFD e estamos orgulhosos de atingirmos a liderança na nossa categoria no relatório deste ano”.

Para o vicepresidente global de operações do grupo Nestlé, José Lopez, “enfrentar desmatamento é uma das dimensões da valorização do capital natural. A Nestlé depende da biodiversidade em muitas formas, e das florestas em particular, e portanto precisamos agir para evitar desmatamento e melhorar o manejo das florestas em geral”.

Ao receber a indicação de líder setorial pelo terceiro ano, o vicepresidente do grupo Kimberley-Clark, Suhas Apte, destacou os progressos no ano passado: “se em 2010 ainda 46,4% de toda nossa fibra eram certificados pelo FSC, em 2011 chegamos a 98%”.

De acordo com o diretor geral da Nike Considered, Lorrie Vogel, “a empresa adotou uma abordagem rigorosa para medir os impactos completos de todos os materiais e do design: preencher o relatório do FFD nos oferece úteis sugestões para transformamos nossos sistemas em todas as cadeias”.

A diretora da rede de lojas de departamento Marks & Spencer, Fiona Wheatley, acrescentou que “os critérios do FFD se tornaram uma base importante para fazermos negócios da maneira em que nosso cliente espera que os façamos”.

Leia o Forest Footprint Disclosure – Annual Review 2011 [em inglês]

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