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Altamira reclama de caos e pede ajuda do Exército

A insatisfação com o ritmo das obras compensatórias atreladas à hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Pará, ganhou contornos mais críticos. A prefeitura de Altamira, município diretamente atingido pela obra, decidiu pedir ajuda às Forças Armadas para que seja instalado um hospital de campanha na cidade, devido ao caos no atendimento à população. A situação é resultado da explosão na demanda causada pela construção de Belo Monte, no rio Xingu, segundo Antônio Carlos Bortoli, secretário de planejamento de Altamira.

“A condição atual está levando a cidade a uma condição caótica parecida com aquela vivida em Jirau e Santo Antônio [usinas em construção em Porto Velho"], disse.

De acordo com a prefeitura, o consórcio Norte Energia, responsável pela obra, assumiu o compromisso de reformar o hospital municipal São Rafael, além de construir outra unidade na cidade. “Acontece que para reformar um hospital teria de tirar todo mundo de lá. E para construir outro são necessários dois anos. Não podemos esperar mais”, disse Bortoli.

A Norte Energia garante que os projetos estão em andamento. Antônio Raimundo Coimbra, diretor socioambiental do consórcio, disse que há 53 obras da área de saúde previstas para os municípios afetados por Belo Monte. Dessas, oito serão realizadas em Altamira e 17 em Vitória do Xingu, onde as barragens serão erguidas. Segundo Coimbra, um acordo para tratamento de água e esgoto em Altamira deve ser assinado hoje e a construção de um aterro sanitário está em fase de negociação. O consórcio alega que tem liberado R$ 120 mil por mês para compra de remédios em Altamira. Outros R$ 60 mil são gastos mensalmente com medicamentos para Vitória do Xingu e R$ 20 mil para Anapu.

De acordo com Johaness Eck, coordenador do comitê gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS), que está ligado à Casa Civil, foram investidos cerca de R$ 10 milhões em ações de saúde desde o ano passado na região.

Na semana passada, a Justiça Federal concedeu liminar ao Ministério Público Federal, determinando que prefeitura de Altamira tome medidas para resolver o caos no atendimento do hospital São Rafael. Até 2010, a cidade tinha 100 mil habitantes. Hoje a população chega 148 mil pessoas.

“A usina vai acontecer e nós sabemos disso. Mas temos que estar atentos às condicionantes. Lamentavelmente, estamos vendo que essas obras não estão andando”, disse o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), durante a audiência pública realizada ontem pela Subcomissão Temporária do Senado, que foi criada para acompanhar a execução das obras de Belo Monte.

Para Johaness Eck, da Casa Civil, parte das críticas feitas ao consórcio Norte Energia se deve a falhas cometidas no acompanhamento dos projetos compensatórios da usina. “Precisamos melhorar a transparência de informações das obras relativas ao cronograma de licenciamento ou a qualquer outro marco institucional. A informação precisa estar inteligível por todas as pessoas que as buscam”, comentou. Vamos trabalhar para isso.”

Por: André Borges
Fonte: Valor Econômico 

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