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Bancos devem repensar modelo de negócios, avalia Setubal

Em um contexto de crescimento econômico menor, a exigência de mais capital para os bancos levará as instituições financeiras a repensar seu modelo de negócios e aprimorar a infraestrutura tecnológica. A afirmação foi feita nesta quarta-feira por Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco.

“Em um cenário em que bancos são forçados a ter mais capital e de melhor qualidade, como vou gerar mais receitas e reduzir custos? Uma ideia seria aumentar preço, o que é difícil neste momento diante das pressões para baixar spread [diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa repassada aos clientes]. Não está fácil de os bancos aumentarem suas receitas para remunerar o capital adicional”, disse ele em palestra no Ciab, evento de tecnologia para o setor bancário, realizado em São Paulo.

“Até 2019 vamos assistir necessidades adicionais de capitalização dos bancos no mundo todo e isso gera uma discussão sobre os modelos de negócios.”

Segundo ele, os bancos de dados terão de ser mais bem organizados e precisarão ser mais consistentes, já que a melhora dos modelos de concessão de crédito depende justamente da qualidade dessas informações.

“É preciso dar o produto certo para o cliente certo”, disse Setubal durante a palestra, acrescentando que o Itaú está trabalhando em seu banco de dados. “Os investimentos em tecnologia vão aumentar muito. É a única área do banco que está aumentando.”

Nova era

Na abertura do evento, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que o Brasil está no limiar “de uma nova era de taxa de juros básica de um dígito”, e de taxas reais (descontada a inflação) também historicamente baixas.

Nesse contexto, Portugal reiterou que a Febraban levou uma série de sugestões ao governo federal que poderiam permitir cortes maiores das taxas. Ele não deu detalhes sobre como estão as conversas com o governo para a implementação de tais medidas.

“Vamos continuar trabalhando junto com nossos acionistas e com o governo nesta direção”, disse Portugal. “O Brasil pode criar condições para que esse processo seja bem sucedido.”

Na avaliação de Roberto Setubal, é necessário “reduzir o spread mexendo em custo, imposto e qualidade de crédito”.

Por: Filipe Pacheco e Aline Lima
Fonte: Valor Online 

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