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O trabalhador da construção Altair Donizete confirmou as denúncias do vereador petista e disse que o caso é mais do que escravidão branca "porque o escravo tem direito à comida, enquanto os trabalhadores de Jirau não ganham o suficiente para se alimentar" A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Rondônia, para conhecer o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, pode ser marcada por protestos de trabalhadores e constrangimento presidencial. O Consórcio Energia Sustentável do Brasil, que reúne as empresas Suez, Chesf, Camargo Corrêa e Enersul, está sendo acusado de manter trabalhadores no seu canteiro de obras em regime de escravidão branca, pagando salários aviltantes e explorando ao máximo a mão-de-obra, além de discriminar os operários de Rondônia e favorecer os trabalhadores trazidos de outras regiões do País. O vereador Cláudio Carvalho, do PT, esteve nesta semana visitando o canteiro de obras e disse ter ficado “triste com a situação muito difícil em que se encontram os funcionários” do Consórcio. Segundo o vereador, os salários pagos pelo Consórcio Energia Sustentável do Brasil “são infames”. Ele citou, como exemplo, os R$ 473 pagos a um ajudante de pedreiro e os R$ 600 a um carpinteiro por uma jornada de trabalho que muitas vezes ultrapassa às oito horas diárias. Cláudio Carvalho disse não ter dúvidas de que existe uma escravidão branca no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau. ACORDO NA SURDINA O trabalhador da construção Altair Donizete confirmou as denúncias do vereador petista e disse que o caso é mais do que escravidão branca “porque o escravo tem direito à comida, enquanto os trabalhadores de Jirau não ganham o suficiente para se alimentar”. De acordo com Altair Donizete, os salários aviltantes pagos pelo Consórcio aos trabalhadores são o resultado de um acordo feito “na surdina, na calada da noite”, entre os dirigentes da empresa e o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Rondônia, pelo Força Sindical, presidida em Rondônia pelo sindicalista Antônio Acácio do Amaral. Para o presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, Hermínio Coelho (PT), o piso salarial dos trabalhadores do Consórcio de Jirau “é uma vergonha”. Segundo ele, tem pedreiro e eletricista ganhando R$ 500. “Muitos estão abandonando a obra”, disse Hermínio, que prometeu denunciar a situação dos trabalhadores ao Ministério do Trabalho.
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