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Leilão de eólicas no Brasil deve ocorrer entre março e abril
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Local: São Paulo - SP
Fonte: Valor Econômico - (26/11/2007)
Link: http://www.valoronline.com.br/ |
Maurício Capela Bettina Barros
Os geradores de energia eólica no Brasil deverão ganhar um leilão só para si no começo do próximo ano. Apesar de o martelo ainda não ter sido batido, o fato é que uma reunião na semana passada entre o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, e executivos ligados a entidades e empresas do setor eólico indicou que um pregão de fontes alternativas, com um bloco específico para a venda dos megawatts (MW) obtidos a partir da força dos ventos, deverá acontecer entre o fim de março e início de abril de 2008. "Deveremos conversar mais sobre possíveis datas no próximo encontro com o ministro Hubner, que deverá acontecer em até 15 dias", conta Adão Muniz, atual conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEE). "O edital deverá sair em dezembro deste ano", acrescenta Paulo Teixeira, deputado federal (PT-SP). O Valor procurou o Ministério das Minas e Energia, que confirmou o encontro da semana passada. No entanto, o ministério não garantiu que o leilão deverá acontecer entre o fim de março e início de abril de 2008. Isso porque faltaria ainda o estudo final sobre a viabilidade do potencial dessa fonte para ir à venda, que deverá estar pronto no início do próximo ano. Agora, mesmo que o leilão sofra um atraso de alguns meses, a entidade já tem rascunhado seu projeto ideal, cujo objetivo é alcançar um bom grau de atratividade para essa fonte de energia. Segundo Muniz, a idéia é que um leilão desse porte negocie algo como 500 MW de capacidade instalada em um contrato de fornecimento de pelo menos 20 anos. Além disso, a ABEE gostaria que o insumo fosse contratado pelo megawatt/hora. "A série histórica sobre a força dos ventos nas regiões em que poderia haver usinas eólicas remete a uma década no Brasil, contra 60 anos, por exemplo, de acompanhamento no setor hídrico. Portanto, o ideal é nos atermos a um fator de capacidade conservador", explica Muniz. De fato, a proposta para esse leilão de energia eólica é que essas usinas tenham um fator de capacidade entre 32% e 35%. Em outras palavras, se fossem negociados esses 500 MW, essas usinas ficariam comprometidas a entregar 175 MW médios. "Acredito que grandes companhias vão participar de um leilão desenhado especificamente para as eólicas, porque haverá preço e prazo específicos", acrescenta Muniz. Especula-se que a espanhola Iberdrola, a australiana Pacific Hydro, a argentina Impsa e a brasileira Bioenergy poderiam se interessar em vender ou comprar projetos no pregão. Vender energia a partir da força dos ventos, inclusive, não tem sido fácil no país. Além da iniciativa do Proinfa, que prevê agregar 1,1 gigawatts aos atuais 240 MW de capacidade instalada desse insumo, algumas eólicas se recusaram a participar do último leilão de fontes alternativas ocorrido em junho último. Segundo a ABEE, naquela oportunidade, os empreendedores entenderam que o prazo e a forma de contratação não eram compatíveis com essa energia. O leilão de junho tinha 939 MW inscritos de fonte eólica, mas o prazo de contrato de 15 anos e o preço-teto fixado em R$ 140 por megawatt/hora (MWh) afastaram os interessados.
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