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Desafio Climático: Bancos precisam assumir suas responsabilidades
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Local: São Paulo - SP
Fonte: Eco-Finanças - (27/04/2010)
Link: http://www.eco-financas.org.br |
A articulação internacional BankTrack lançou recentemente o estudo Desafio Climático, que analisa a influência das instituições financeiras sobre as questões climáticas. O documento é a versao em português do relatório "A Challenging Climate 2.0; what banks must do to combat climate change", divulgado em dezembro do ano passado, durante a Conferência do Clima, em Copenhague. De acordo com o estudo, os bancos podem ser vilões ou heróis do clima, e deveriam preterir oportunidades de negócios de impacto negativo às mudanças climáticas para optar por ações que favoreçam ganhos de longo prazo. "Bancos comerciais estão numa posição única: podem intensificar o uso de energia baseada na queima de combustíveis fósseis ou catalisar os esforços necessários em eficiência e tecnologia para atingir uma sociedade de baixo carbono", diz o documento. "Não faltam aspiração e discurso por parte dos bancos sobre mudanças climáticas; o que está faltando é agir sem se esquivar das decisões difíceis. Por exemplo, abandonar o financiamento da extração de combustíveis fósseis e focar em fontes renováveis de energia", diz Johan Frijns, coordenador do BankTrack. Faltam, nas iniciativas recentes de bancos internacionais, como o Climate Principles e o Carbon Principles, a ambição necessária para se criar uma mudança fundamental nas práticas de negócios. Isso acontece, enquanto a mais conhecida iniciativa para finanças sustentáveis, os Princípios do Equador, não apresentam qualquer compromisso obrigatório de considerar impactos climáticos na hora de financiar um projeto. O relatório do BankTrack também argumenta que a ênfase dos bancos no mercado de carbono está mal orientada, já que afasta o setor de uma real contribuição que poderia ser dada no sentido de resolver a crise climática: mobilizar o capital financeiro rumo à mudança para uma sociedade de baixo carbono. Etapas O relatório aponta quatro passos que os bancos deveriam seguir para fazer a sua parte, abandonando soluções que contribuem pouco para a redução de emissões de gases de efeito estufa e se concentrando na mudança estrutural necessária para uma economia de baixo carbono. O primeiro passo, para isso, é o abandono de todas as atividades e projetos que contribuam para as mudanças climáticas, em particular os financiamentos de termelétricas, extração de carvão, petróleo e gás, além de práticas ineficientes em agricultura, florestas e transporte. O segundo passo é minimizar a contribuição das outras atividades às mudanças climáticas, condicionando os financiamentos a cálculo de emissões de gases do efeito estufa em cada projeto, além de criar ferramentas para reduzir emissões em operações e serviços bancários. O terceiro ponto é aumentar o incentivo a desenvolvimento e uso de tecnologia verde e processos produtivos amigáveis ao clima. Os bancos deveriam aumentar os incentivos a tecnologia de redução de emissões, produção de energia renovável e eficiência energética em todas as linhas de negócios, desenvolvendo também produtos e serviços para auxiliar os consumidores do varejo a combaterem as mudanças climáticas. O quarto passo indicado pelo relatório diz que os bancos não devem financiar ou desenvolver as chamadas 'falsas soluções' para as mudanças climáticas, como mercado de carbono, energia nuclear, hidroeletricidade em larga escala e captura e estocagem de carbono (CCS). Além disso, os bancos só devem aprovar projetos de biocombustíveis que tenham emissões, no mínimo, 80% menores que as geradas com a queima de combustíveis fósseis. De acordo com o BankTrack, essas falsas soluções não só contribuem pouco para a redução de emissões e atrasam o desenvolvimento de tecnologias limpas, como também podem causar impactos a populações tradicionais nos países do hemisfério sul. Leia o documento na íntegra: Desafio Climático Veja a versao em inglês: 'A Challenging Climate 2.0; what banks must do to combat climate change'
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